Um abraço para ti

Para ti, que também precisas de um abraço.
Que seja refúgio.
Colo à alma e ao coração.
Às vezes, um abraço é tanto, não é?

Ouvir o silêncio

Sentada à janela, como sempre. 
Lá fora, o sol, o céu, o infinito. Cá dentro, um abraço que se aproxima.
Aproximas-te de mim, pé ante pé, e eu já sei o teu abraço a chamar-me, mesmo antes de chegares a mim.
Chegas a mim e dás-me razão, assim que as tuas mãos chamam as minhas.
Levanto-me. Sorrio-te. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando as mãos se chamam e se dão.
Olhas-me fundo. Olhas-me como quem me olha a alma, o coração.
Olho-te. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se olha por dentro.
Sorris. Sorris como quem me ouve o silêncio. E sabes o meu abraço a chamar-te, tal como eu sei o teu abraço a chamar-me desde que ouvi os teus passos aproximarem-se.
Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sabe ouvir o silêncio. 
Abraças-me forte. Os teus braços a abraçar-me e as tuas mãos a segurar-me. Abraças-me como se o abraço fosse tudo. 
Abraço-te forte. Sinto a tua respiração e o teu coração a bater. Sorrio. Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando o abraço é tudo.
Olhas-me e sorris-me.
Olho-te e sorrio-te.
Não digo nada, as palavras nunca são precisas quando se sorri porque já se disse tudo, sem ser preciso dizer.

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